ESCOFFIER – O REI DOS CHEFS.

O REI DOS CHEFS.

Portrait Auguste Escoffier
Auguste Escoffier, o cozinheiro que redefiniu os padrões da cozinha francesa e favoreceu o seu sucesso internacional

O cozinheiro dos reis, o rei dos cozinheiros. essa foi a legenda que ficou, merecidamente, para o francês Auguste Escoffier (1846-1935), o extraordinário chef de cuisine que, na virada do século XIX para o seculo XX, ao redefinir os padrões da culinária francesa, eliminando os excessos de virtuosismo legado pela elaborada haute cuisine do igualmente notável Antonin Carême (1783-1833), modernizou-a e favoreceu o seu sucesso internacional.
As principais cozinhas de Paris, Nice, Lucerne, Monte-Carlo, Londres e Cannes desfrutaram do talento e do estilo de Escoffier entre 1880 e a 1°Guerra Mundial. Antes, aos treze anos, ele recolheu os ensinamentos básicos trabalhando com um tio, que chefiava um dos melhores restaurantes de Nice.
Ainda como aprendiz, passou longos anos trabalhando em Paris, Lucerna e Monte-Carlo, até que em 1880, aos 34 anos, teve a grande oportunidade de sua vida, ao conhecer o notável hoteleiro CésarRitz, que lhe entregou, sucessivamente, o comando das cozinhas do hotel Savoy e do Carlton de Londres.
A partir daí, a nobreza européia passaria a desfilar em todo restaurante onde Escoffier cozinhasse, invertendo o costume anterior, em que os chefs eram levados para cozinhar nas residências da aristocracia.

Os seis anos com o tio em Nice e os cinco no afamado Le Petit Moulin parisiense consolidaram em Escoffier um conhecimento profundo da cozinha francesa. Franzino, de baixa estatura, ele tinha dificuldade em toda operação que exigisse força e muitas vezes usava sapatos de plataforma para alcançar o fogão e o forno. Enfrentou adversidades ainda maiores, como cerco de Paris em 1870, quando foi convocado para cozinhar para o exercito na cidade de Metz, também sitiada em seguida.
É desse tempo esta recordação de Escoffier:”Carne de cavalo, quando você está em condição de apreciá-la, é uma delícia”. Passados os anos de guerra e depois de promovido a chef no Petit Moulin, ele andou por outras casas, outras cidades, até que no auge da temporada de inverno de 1880, no Grand hotel de Monte-Carlo, César Ritz perdeu o seu chef-de-cuisine, Giroix, contratado por um rival parisiense.
Nascia ali uma das mais célebres parcerias da gastronomia internacional. Nos seis anos seguintes, Escoffier dividiu seu tempo entre o Grand Hotel de Monte-Carlo e o Ritz Grand National Hotel em Lucerna. As virtudes de Ritz como anfitrião requintado atraíam a suas casas as grandes personalidades da época, como o Príncipe de Gales, o imperador da Áustria, duques e condes russos, os maiores líderes políticos e empresariais da Europa, os artistas mais renomados.
Todos eles se rendiam à excelência dos pratos criados por Escoffier, que então se consagrava como o mais talentoso dos chefs de seu tempo.

Talentoso e capaz de ousadias como a de suprimir acompanhamentos que pelos séculos anteriores eram tidos e havidos como essenciais, como os ornamentais hâtelets – espetos de metal apresentados sobre pratos quentes ou frios, nos quais se misturavam trufas, cristas de galo, lagostas e outras iguarias, com preocupação estética mas sem maiores preocupações com a harmonia gastronômica; ou ainda os elaborados socles– pedestais sobre os quais as comidas eram montadas para se tornarem mais vistosas. Ao eliminar esses acessórios, Escoffier introduziu um novo conceito. Para ele, a comida deve ter o aspecto de comida. Entediava-o, igualmente, a profusão de molhos, temperos e sabores até ali em voga nas grandes cozinhas. O estilo Escoffier impôs, então, o equilíbrio como nova norma: ao invés da receita complexa, a preferência pelos poucos ingredientes realmente finos.
Um dos modelos de prato de sua lavra é o sole alice, nome dado em homenagem a uma das cabeças coroadas que serviu, a princesa Alice, neta da rainha Vitória. Trata-se de um linguado preparado no vinho, aquecido em prato escaldado, acompanhado de molho enriquecido com cebolinha e tomilho, acrescentando-se ostras no momento final. A grande repercussão de suas inovações levou Escoffier a prestar um esclarecimento, que julgou oportuno:”As simplificações marcam uma evolução, e não um declínio, da arte culinária. O que existiu nos tempos de Carême e continuará a existir sempre são os fundamentos da cozinha. se a aparência é mais simples, nem por isso a comida perdeu valor. Pelo contrario, o paladar das pessoas se torna cada vez mais refinado e, para atendê-las, é preciso que também a cozinha se refine”.
Um dos maiores momentos da dupla Ritz-Escoffier ocorreria em 1889, quando eles conquistaram um grande hotel de Londres, o Savoy. Por essa época, os sobrenomes mais cintilantes do Ocidente (Rothschild, Vanderbilt, Morgan, Crespi, entre tantos outros) curvavam-se diante de receitas concedidas por Escoffier, como Coupe Yvette, Poularde, Adelina Patti, Consommé Favori de Sarah Bernbardt, Salade Tosca.
Todos se tornaram cada vez mais assíduos ao Savoy.
Com seu gênio mercadológico, Ritz aproveitou a ocasião para rechear sua casa com algumas das mais estonteantes beldades da época. Na noite em que a grande Nellie Melba foi ao Savory comemorar a retumbante estréia da ópera Lohengrin, de Wagner, escoffier teve a delicadeza de apresentar sua primeira versão de Pêches Melba – pêssegos em calda e bolas de sorvete de creme, servidos com favas de baunilha, cujo desenho lembra o pescoço de um cisne, numa metáfora gastronômica à opera wagneriana (lohengrin é um cavaleiro andante que, a certa altura, aparece para defender a heroína da ópera, em um barco puxado por um cisne encantado). Anos mais tarde, o grande Chef acrescentaria aos Pêches Melba uma calda de framboesa.
Em 1896, Ritzs abriu seu famoso hotel da Place Vendôme, em Paris, prolongando-se por várias semanas, como em Londres, a consagração do talento de Escoffier. Mais três anos e a cena volta a acontecer em Londres, com a inauguração de outro hotel, o Carlton.
De triunfo em triunfo, Escoffier chegaria ao ano de 1902, que a gastronomia reconhece como um divisor de águas: é o ano da publicação do le guide culinaire, escrita em parceria com Philéas gilbert e Émile Fétu.
Entre toda obra de autoria de Escoffier (como a revista Carnet d´Epicure, de 1911, e os livros Le livre des menus, de 1912, Ma Cuisine de 1934), o mais notável é sem dúvida Le Guide Culinaire, insuperável compêndio de receitas clássicas e de descrição dos fundamentos da cozinha, até hoje reverenciado como Bíblia pelos chefs mais importantes e estudiosos. Além das publicações, Escoffier até hoje, como o planejamento do menu. Até então, os banquetes deixavam os convivas desorientados, pois todos os pratos chegavam ao mesmo tempo, num espetáculo de luxo feito para evidenciar as posses do anfitrião. Escoffier consolidou o costume de servir os pratos em sequencia, um de cada vez, garantindo assim que cada um seja servido em sua temperatura ideal, ao comensal a oportunidade de experimentar os sabores um a um. Na cozinha, reformou os métodos de trabalho, racionalizou a divisão das tarefas da brigada etc. Quando resolveu se aposentar, no final da 1° Guerra Mundial, aos 73 anos, Escoffier foi morar em Monte-Carlo.Seis décadas de vida na cozinha e pouco contato com a mulher e os três filhos ficariam na história de alguns dos melhores restaurantes que a Europa conheceu. Quando ele morreu, aos 89 anos, deixou todo um repertório de receitas copiadas e aprimoradas em todo o mundo, além da base se ergueria a moderna gastronomia.
foto escoffier
Saiba mais do Rei dos Chefes adquirindo o livro:
ESCOFFIER – O REI DOS CHEFS.
KENNETH JAMES 
EDITORA SENAC.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s