FESTIVAL GASTRONÔMICO DE MONTE VERDE.

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Culinária típica da região ganha espaço em festival no Sul de Minas

Sexto Festival de Gastronomia de Monte Verde, MG, vai até 26 de abril.
Mais de 20 pratos exclusivos foram criados com base em produtos locais.

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária (Foto: Daniela Ayres/ G1)
Festival de Monte Verde apresenta pratos à base de
produtos tradicionais da cozinha mineira
(Foto: Daniela Ayres/ G1)

Até o dia 26 de abril, cerca de 30 mil pessoas devem passar pelo Festival de Gastronomia deMonte Verde (MG). Em sua sexta edição, o evento conta com 24 opções de pratos exclusivos para a apreciação do visitante e atrações culturais.

“Eu frequento Monte Verde aos finais de semana. O clima é ideal, adoro o povo e tem uma boa gastronomia”, diz a paulistana Eda Tavares, gastrônoma que  acompanha o festival pela primeira vez.

Conhecido pelo clima frio e arquitetura semelhante a de pequenas cidades europeias, o distrito pertencente a Camanducaia (MG) tem se destacado nos últimos anos pela sua culinária, que mistura produtos locais a influências do mundo todo. Aproveitando esse aspecto da cozinha local, o festival de gastronomia deste ano aposta no tema “Sabores da Terra”.

As atividades vão além dos pratos especiais criados exclusivamente para a data. Durante duas semanas, moradores e turistas participam de palestras e workshops, que procuram resgatar tradições e colocar em discussão temas importantes para o desenvolvimento da culinária local, como os cuidados com a qualidade e o preparo dos alimentos e a valorização dos costumes.

Na abertura, por exemplo, quem esteve em Monte Verde pôde conferir um workshop sobre a chamada comida de senzala, apresentada por dois mestres-cucas mineiros de renome internacional. A chef Elzinha Nunes, reconhecida pesquisadora da história da culinária mineira, preparou uma mesa de degustação ao lado do não menos famoso chef Ari Kespers, que levou fama para seu bistrô em Monte Verde ao adotar técnicas da cozinha francesa na criação e recriação de pratos com produtos da região.

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária, workshop (Foto: Daniela Ayres/ G1)Na abertura da 6ª edição do festival, os chefs Elzinha Nunes e Ari Kespers repetiram parceria iniciada em Paris  (Foto: Daniela Ayres/ G1)

Elzinha e Kespers foram parceiros de cozinha na 35ª edição do Salão do Livro de Paris, na França, realizada em março. Por lá, eles representaram o Brasil e lançaram o livro que reúne suas receitas com as de outros dois chefs da cozinha mineira, Le Brésil de Minas Gerais – Gastronomie et Tourisme (O Brasil de Minas Gerais – Gastronomia e Turismo). Na volta para casa, combinaram o reencontro em Monte Verde.

“Eu gostei do convite porque um festival como este ajuda a preservar as tradições, mantém o  o produtor na própria terra”, diz Elzinha. “E a partir disso, desenvolve o local, gera empregos e começa a mostrar uma consciência de comida saudável.”

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária, workshop (Foto: Daniela Ayres/ G1)
Em workshop, público foi convidado a ‘comer de
capitão’, costume antigo em Minas Gerais
(Foto: Daniela Ayres/ G1)

‘Comendo de capitão’
Cuscuz de panela, ou fubá suado, usado com rapadura e queijo mineiro, batidinha de erva cidreira com cachaça e queimadinho (mistura de leite queimado e rapadura) foram algumas das delícias preparadas para receber turistas e moradores. Mas o ponto alto dessa espécie de curso rápido sobre a culinária dos escravos foi um desafio.

“A comida de senzala é a base da nossa culinária e é muito especial, muito rica. Então eu queria que as pessoas também tivessem a experiência de como era comer essa comida”, explica Elzinha.

Ao apresentar o angu doce, um preparado à base de fubá, queijo e rapadura, Elzinha convidou o público a reproduzir um costume da senzala, ‘comer de capitão’ ou ‘de arremesso’. Por trás da proposta, a compreensão de que cada ingrediente aparece em uma receita para atender uma determinada necessidade que vai além do sabor. “Foi uma experiência maravilhosa”, garante a gastrônoma Eda.

Estímulo à criatividade de olho na história
O Festival de Gastronomia de Monte Verde surgiu em 2010. Com a curadoria dos chefs Sônia Kohen e Tiago Mentor, o evento é um estímulo ao desenvolvimento da cozinha característica de Monte Verde e suas relações históricas.

O distrito foi formado por imigrantes da Letônia, país do Leste Europeu, e recebeu durante décadas contribuições do mundo todo e de outros estados do país. “Monte Verde tem uma cultura muito rica que se reflete em sua culinária”, observa Mentor.

“Quando criamos o festival, queríamos mostrar isso. Por esse motivo, o festival não é competitivo. Do popular à alta gastronomia, cada restaurante, bar ou bistrô participante tem liberdade para criar o seu prato especial”, conta.

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária, workshop (Foto: Daniela Ayres/ G1)Do rústico à alta gastronomia, festival de Monte Verde (MG) é uma celebração à boa culinária
(Foto: Daniela Ayres/ G1)

Reiventando na tradição
O festival é ainda uma oportunidade para se surpreender até com uma iguaria aparentemente trivial para os mineiros. No restaurante administrado por Leandro Schultz e a esposa Aparecida Pereira Lemos optaram por apostar em 2015 em uma generosa porção de leitão à pururuca.

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária (Foto: Daniela Ayres/ G1)
Turistas lotam restaurantes no 1º fim de semana do
festival de gastronomia (Foto: Daniela Ayres/ G1)

“Eu gosto de fartura e não tinha visto nada parecido entre os participantes, que costumam adotar técnicas das cozinhas francesa e italiana. Resolvemos colocar no cardápio esse leitão à pururuca, que exige todo um cuidado durante o preparo”, diz Schultz.

Servido com tutu, ovo, calabresa, couve e torresmo, o prato se diferencia pela leveza em comparação às receitas tradicionais. “Parece comum, mas não é. O leitão precisa ter uma camada de gordura mais fina”, conta.

“É uma carne que precisa ficar no tempero por 24h, ser pré-cozida e congelada na sequência, para depois pururucar”, revela Schultz, certo de que o desafio está cumprido cada vez que um cliente entra e quer experimentar o prato do festival.

Monte Verde, Gastronomia, Restaurantes, Festival, Culinária (Foto: Daniela Ayres/ G1)Em Monte de Verde (MG), público conferepratos variados, até uma releitura do tradicional leitão à pururuca
(Foto: Daniela Ayres/ G1)

 Daniela AyresDo G1 Sul de Minas

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