QUEIJO ADULTERADO VENDIDO EM 23 CIDADES DO RIO GRANDE DO SUL.

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Queijo adulterado era vendido em 23 cidades do RS; Procon pede retirada

MP apura esquema de adição de amido de milho e leite impróprio em queijo.
Operação Queijo Compensado foi deflagrada nesta terça (16) no estado.

 

O queijo fabricado de forma irregular em uma empresa gaúcha com adição de amido de milho e uso de leite rejeitado pelas indústrias por estar vencido ou fora de qualidade, era revendido também de maneira ilegal para 72 estabelecimentos de 23 municípios do Rio Grande do Sul. A adulteração no produto foi descoberta na primeira etapa da Operação Queijo Compensado, deflagrada pelo Ministério Público (MP) nesta terça-feira (16) em Três de Maio, no Noroeste, e Ivoti, no Vale do Sinos, no estado 

O Procon oficiou órgãos municipais de defesa do consumidor para fiscalizar os supermercados e minimercados do interior para retirada dos queijos das gôndolas. Segundo a diretora-executiva do órgão Flávia do Canto Pereira, o consumidor que adquiriu o produto e ainda tiver a nota fiscal pode retornar ao estabelecimento para que seja efetuado o ressarcimento do valor gasto.

Dois sócios da empresa de processamento Laticínios Progresso Ltda Eduardo André Ribeiro e Volnei Fritsch, e o filho dele Pedro Felipe Fritsch, foram presos preventivamente. São investigados também o Secretário de Agricultura e Meio Ambiente do Município de Três de Maio, Valdir Ortiz, o fiscal do Serviço de Inspeção Municipal de Estância Velha, Roberto Nardi e o motorista da empresa Arnildo Roesler, que vão responder em liberdade.

Conforme o MP, a empresa, que tem sede em Três de Maio e Ivoti, é suspeita de acrescentar amido de milho no queijo, que, segundo MP, engrossa e dá consistência. No entanto, ao final do processo, deixa o produto esfarelado e com forte odor, até mofar. 

Além disso, a Laticínios Progresso Ltda, de acordo com o MP, recebia leite rejeitado pelas indústrias por estar vencido ou fora de qualidade, ou seja, o produto não deveria ser utilizado na fabricação de queijo.

“A Laticínios Progresso adquiria leite rejeitado pela indústria, ou por adição de algum produto, ou mesmo por ser adulterado. E aproveitava esse leite na fabricação dos seus produtos. Além de que, utilizava uma quantidade menor de litros de leite para cada quilo de queijo, e adicionava amido de milho para dar corpo, para dar volume”, afirma o promotor Mauro Rochenback.

A investigação sobre a fraude no queijo foi conduzida pelo mesmo responsável pelas oito etapas da Operação Leite Compensado, que flagrou um esquema de adulteração na bebida com a adição de substâncias que não fazem parte de sua composição. Segundo ele, a fabricação de queijo com amido de milho serve para mascarar a colocação de menos leite do que o exigido pelas normas da indústria do setor.

Homem foi preso em empresa de laticínio de Três de Maio (RS) (Foto: Dulce Sachetti/RBS TV)
Homem foi preso em empresa de laticínio de Três
de Maio (Foto: Dulce Sachetti/RBS TV)

O queijo já adulterado era armazenado em barras de mais de dois quilos armazenadas em caixas de plástico. O produto poderia apenas ser comercializado na região de Três de Maio, pelo fato da empresa ter cadastro municipal. No entanto, ele era distribuído para cidades da Região Metropolitana também.

A investigação sobre a fraude foi conduzida pelo promotor Mauro Rochenback, o mesmo responsável pelas oito etapas da Operação Leite Compensado, que flagrou um esquema de adulteração na bebida com a adição de substâncias que não fazem parte de sua composição. Segundo ele, a fabricação de queijo com amido de milho serve para mascarar a colocação de menos leite do que o exigido pelas normas da indústria do setor.

No entanto, de acordo com Rockenbach, o consumo não deve fazer mal à saúde. “Não sei tem como [saber], porque o leite rejeitado não era informado ao Ministério Público nem ao Ministério da Agricultura se algum problema existia. O que se observou na investigação é que a edição de amido de milho e água não impõe nenhum risco à saúde”, explicou. Ainda assim, o Procon orienta que se procure um médico para eventuais exames.

Além da adulteração no queijo, o MP investiga também a suspeita de sonegação fiscal e o envolvimento de agentes públicos no esquema.

MP deflagrou Operação Queijo Compensado (Foto: Marjulie Martini/Ministério Público)Empresa investigada pelo MP tem sede em Três de Maio e Ivoti (Foto: Marjuliê Martini/Ministério Público)

Fraude fiscal
Segundo o MP, os proprietários da empresa estariam fraudando notas fiscais. A suspeita é que ocorra sonegação de impostos, já que a Laticínios Progresso, segundo as investigações, tem lucro mensal de R$ 1 milhão, mas declara ao fisco apenas R$ 50 mil.

No âmbito fiscal são investigados o secretário municipal da Agricultura e Meio Ambiente de Três de Maio, Valdir Ortiz, e o fiscal municipal de Estância Velha. O MP diz que ambos facilitavam a atividade do grupo. As investigações apontam que os dois possuem relação de amizade com os sócios da empresa.

MP descobre fraude em queijo vendido ilegalmente no Rio Grande do Sul Diogo Zanatta/Especial

Ortiz é o encarregado de intermediar na Prefeitura de Três de Maio os trâmites para facilitar o repasse de verbas e recursos do Fundopem para a empresa. Já o fiscal Roberto Nardi auxilia no processo para obtenção do selo da Coordenadoria de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Cispoa), o que possibilita a venda do produto dentro do Rio Grande do Sul.

O laticínio possuía somente o selo SIM (Serviço de Inspeção Municipal), que significa permissão para comércio de produtos dentro de Três de Maio. A regra era desrespeitada. De lá, o queijo adulterado era levado irregularmente para Ivoti e distribuído para outras partes do estado.

O MP pediu o afastamento dos dois do cargo público que ocupavam. Eles terão que comparecer à Justiça a cada dois meses para informar e justificar atividades e estão proibidos de acessar ou frequentar  sede e o depósito da empresa. O mandado de medida alternativa à prisão consiste ainda na proibição de os investigados ausentarem-se da Comarca por mais de oito dias e na suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais.

MP esteve em empresa de fabricação de queijo (Foto: Marjuliê Martini/Ministério Público)MP esteve em empresa de fabricação de queijo
(Foto: Marjuliê Martini/Ministério Público)
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