CHEF CIDINHA LAMOUNIER ACREDITA NO POTENCIAL DA GASTRONOMIA MINEIRA.

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Cidinha Lamounier

Cidinha usa o talento não só para elaborar receitas saborosas, mas também para transmitir seu saber

“Somos excelentes profissionais, só precisamos de um marketing melhor para ganharmos o Brasil e o mundo”, concluiu a premiada chef Cidinha Lamounier, sobre a gastronomia mineira. Certificada como ProChef Nível 1 pelo Instituto Americano de Culinária, a profissional foi escolhida para representar Minas no cenário gastronômico entre os anos de 2015 e 2016, no prêmio máximo da gastronomia brasileira, o Dólmã. 

Detentora de um vasto conhecimento sobre a culinária mineira e brasileira, Cidinha usa seu talento não só para construir receitas repletas de sabor, memória e cultura, mas também para transmitir o que sabe. Estudiosa da área, ela decidiu dedicar seu tempo à docência e desistiu de trabalhar com qualquer coisa que não lhe desse prazer. Por isso, trocou as calculadoras científicas que utilizou por 19 anos trabalhando em banco, pela cozinha e a sala de aula.

A ouropretana se inscreveu em alguns cursos oferecidos pelo Senac, com o objetivo de abrir um negócio próprio e, no meio do caminho, acabou substituindo uma professora que se ausentaria por um tempo e descobriu uma nova paixão. Desde então, decidiu investir na carreira e não parou mais de ensinar. Chegou a ir para a França, onde ficou por dez dias e fez sete cursos diferentes. Hoje, executa seu trabalho como professora no curso de gastronomia da faculdade Promove.

No entanto, o sonho de abrir um restaurante é mantido e, segundo ela, “está mais vivo que nunca”. Cidinha acredita que até o próximo ano realiza este desejo adiado. “Estou no auge de ver o meu sonho realizado. E com foco na gastronomia mineira, quero valorizar o público e os produtores daqui e resgatar técnicas tradicionais para elaborar meu cardápio”, revela.

Sua referência profissional é Dona Lucinha, que é uma das principais figuras do cenário gastronômico que preserva a cozinha de origem, “gerada nos primeiros anos dos setecentos nas Minas do Ouro e do Diamante”, como é definida sua culinária no site da cozinheira. “Eu me inspiro muito na história dela”, conta Lamounier. A chef citou também a culinária moderna de Léo Paixão, além de Ivo Faria, como nomes que representam bem o atual cenário da gastronomia local.


O confit, técnica dita como sendo francesa, é uma tendência na gastronomia. Mas, na verdade, é uma forma antiga de conservar o alimento, desenvolvida especialmente por soldados na guerra para que a comida não entrasse em deterioração. Armazenar o alimento era o único objetivo para essa técnica. Hoje, o resgate da tradição se tornou mais uma forma de agregar sabor aos ingredientes. “Temos que resgatar todas as histórias possíveis da culinária”, ressalta a professora e chef Cidinha Lamounier.

Para representar tudo isso em que a profissional acredita e se apoia para desenvolver seu próprio estilo, Cidinha criou uma receita que chamou de “Porco do Brasil”, que é uma barriga de porco pururuca ao molho de rapadura com gengibre, aligot de canjica amarela, farofa de castanha do Brasil e crisps de taioba.

“Usei dois tipos de queijo no aligot, que é um tipo de purê: o tradicional queijo minas e uma muçarela. Ele ficou bem ‘puxa-puxa’”, explicou. Ela detalhou ainda que a barriga de porco foi feita em baixa temperatura, com muita paciência e cuidado. A chef fez questão de usar vários produtos nacionais, como o cumaru, a cachaça, rapadura, pimentas variadas e a taioba. “A taioba é um produto bastante mineiro, porém, mais utilizado no interior, especialmente em locais onde ela encontra com a água. Se plantado na beira de rios e brejos ela vai dar folha o ano inteiro, caso contrário, ela vai estar disponível mais no verão, quando temos mais chuvas”.

O interesse pela culinária de raiz não faz a chef descartar as novas técnicas e utensílios mais modernos, ao contrário, ela orienta a qualquer pessoa que queira ser um bom profissional de gastronomia a saber manipular qualquer alimento e equipamento, dos mais tradicionais aos mais tecnológicos. “Como vou propor uma coisa nova se não sei como as coisas começaram? O bom profissional tem que estar apto para assumir qualquer tipo de cozinha”, salienta. Como qualquer instrutora, Cidinha Lamounier também não consegue falar de sua paixão sem deixar uma lição. “Amam o que façam.

Façam o que amam. Escrevi isso uma vez no quadro, durante uma aula para os alunos refletirem. Eles disseram que nunca uma frase representou tão bem um profissional de cozinha. Sou apaixonada pela minha profissão”, finalizou.

Fonte: Cristina Barroca – Hoje em Dia

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