CAROLINA ODA É A NOVA COLUNISTA DO “PALADAR” DO ESTADÃO.

 

Carolina Oda é paulistana. Tem os olhos puxados da família da mãe (ela é japonesa da quarta geração) com o sangue meio espanhol, meio português, do lado do pai. Ela é sommelière e entrou nesse mundo por acaso – queria ser confeiteira, estudou gastronomia no Senac, em Águas de São Pedro, sonhando mais tarde em se especializar na escola de Pâtisserie L’Enôtre, na França. Chegou a estagiar em restaurantes, mas seu rumo mudou quando aceitou convite para trabalhar como assistente da mestre-cervejeira Cilene Saorin.

 

Carol se apaixonou pela cerveja, logo se interessou pelo serviço da bebida. Trabalhou num bar especializado, numa importadora, em outros bares, estudou feito louca os estilos, suas histórias, características. Formou-se sommelière na ABS e no Senac, estudou, provou, viajou pela Europa, visitou fábricas.

 

Hoje, se dedica à formação de profissionais no serviço de bebidas e faz cartas de cervejas para restaurantes. Aos poucos, se interessou também por outras bebidas, entre elas cachaça, saquê, destilados, chá e café.

 Abaixo texto de sua coluna desta quinta-feira (31) que em vez de Só de Birra foi rebatizada como:

É de birra. Mas não só

Liquidação de cervejas?

Nem sempre vale aproveitar ofertas!

Da próxima vez que topar com uma pilha de cervejas em oferta, antes de levar o lote inteiro para casa, achando que está fazendo um grande negócio, preste atenção a alguns detalhes. Geralmente as ofertas incluem cervejas que estão perto do fim do prazo de validade e é isso que vale a pena considerar, para que a alegria do desconto não se afogue no primeiro gole.Quem gosta de cervejas bem lupuladas, como as IPAs, por exemplo, precisa saber que estas podem já estar dando seus últimos suspiros àquela altura. O aroma do lúpulo é a primeira coisa que morre. A rigor, cerveja não estraga com o tempo, não faz passar mal e os produtores só colocam a data de validade no rótulo por exigência legal. Em vários países, como os EUA, nem é obrigatório estampar o prazo.

 

                                                             Foto: Filipe Araújo|Estadão

 

Para muitos estilos, entretanto, quanto mais fresco, melhor. A regra geral é: quanto mais delicada a cerveja, quanto menor o teor alcoólico e quanto maior o foco no lúpulo, mais jovem a cerveja deve ser consumida. Mas é difícil saber a data de fabricação. Infelizmente, poucas cervejarias – como a canadense Dieu du Ciel e a americana Goose Island –, declaram a data de envase nos rótulos.

Outra questão fundamental – e que você tem de observar antes da compra – é onde a cerveja está exposta, se na geladeira ou numa prateleira à luz do sol. Quanto menor a temperatura e a incidência de luz, menor a alteração do perfil original da cerveja e também da cor. A cervejeira mineira Gabriela Montandon, sócia e fundadora da cervejaria Grimor, pesquisou o envelhecimento da cerveja na Bélgica em trabalho paralelo ao doutorado que fez na Katholieke Universiteit – Campus Gent e constatou que as alterações da bebida são mínimas em temperaturas bem baixas quando comparadas às que acontecem acima dos 20ºC.

Quer dizer, para os estilos que pedem frescor, a regra é manter a bebida sob refrigeração – quanto mais tempo de geladeira ao longo da vida, seja na loja ou na sua casa, melhor.

Ninguém precisa desanimar logo de cara porque a cerveja está quase vencendo, e muito menos jogar a bebida no ralo. Mas é bom adequar as expectativas e saber o que esperar da cerveja em questão.

Antes de comprar, confira ao lado as cervejas em que o frescor é importante e o que acontece com elas com o passar do tempo. O quadro, que montei com a ajuda de Gabriela, mostra o que a bebida ganha ou perde em relação às características típicas do estilo.

Agora, não perca a chance de comprar se a queima de estoque na loja for de cervejas de estilos em que o frescor não é determinante, caso de imperial porter, imperial stout; lambic, ales de Flandres; bock, barley wine e scotch ale.

 

                                                    Foto: Cléber de Campos|Estadão

ESTILOS QUE MUDAM MAIS QUANDO ESTÃO PERTO DO FIM DO PRAZO DE VALIDADE

LAGERS LEVES DE BAIXO TEOR ALCOÓLICO

Pilsen, Helles, American Lager…

São as cervejas mais frágeis. Perdem em amargor (que pode ganhar aspereza e adstringência com o tempo) e podem apresentar sinais de envelhecimento, como sabor de papelão e caráter metálico. Eles se agravam em cervejas envasadas em garrafas claras.

TRIGO

Witbier, weissbier…

Perda dos aromas frutados e da picância original, aumento da adstringência e caráter de levedura (cheiro de pão).

LÚPULOS EM DESTAQUE

Pale Ale IPA, IPA, Sesssion IPA…

Perdem o frescor e parte dos aromas cítricos, herbais e florais dos lúpulos. Têm redução do amargor e aumento do dulçor, com sabor de caramelo e, algumas vezes, caráter metálico.

MALTE EM DESTAQUE COM BAIXO TEOR ALCOÓLICO

Vienna lager, Porter, Amber Ale, Stout…

As notas de caramelo e o dulçor são intensificados e o amargor diminui. Podem escurecer e apresentar caráter de envelhecimento como gosto de papelão e sabor metálico.

ESTILOS BELGAS

Tripel, Dark Strong Ale, Dubbel, Saison…

Quando armazenadas em temperaturas elevadas, perdem os aromas frutados, a picância e o amargor. E ganham adstringência, aspereza e dulçor. O caráter alcoólico pode ficar similar ao de solvente.

Fonte: Carolina Oda – Paladar do Estadão.

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